O poder curativo e unificador da dança como linguagem universal
Realizou-se no dia 11 de Maio o evento de comemoração do Dia Mundial da Dança. Trata-se de uma iniciativa do RITMO LATINO e contou com o apoio do DIÁRIO AS BEIRAS, do PARQUE VERDE DO MONDEGO e da CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA.
O Dia Mundial da Dança realiza-se anualmente em 29 de Abril sob a égide do Conselho Internacional da Dança da UNESCO - ver http://www.cid-unesco.org, mas em Coimbra foi marcado para o primeiro Domingo disponível a seguir e essa data, uma vez que o dia 29 de Abril era um dia útil e o dia 4 de Maio era a data do Cortejo da Queima das Fitas.
Criado em 1982, por iniciativa do Comité da Dança do Instituto Internacional do Teatro, o Dia Mundial da Dança celebra o nascimento do coreógrafo francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), criador do ballet moderno e grande impulsionador da dança.
A mensagem de 2008 intitula-se "O espírito da dança não tem cor" e foi escrita pela coreógrafa e bailarina sul-africana Gladys Faith Agulhas, premiada pelo trabalho que tem desenvolvido ligando a dança, a educação e a integração social. "O espírito da dança não tem cor, forma ou tamanho, mas envolve o poder de unir, e também a força e a beleza que se encontra em nós. Cada alma que dança - jovem, velha ou de uma pessoa incapacitada - cria e transforma ideias em movimentos artísticos que podem mudar as nossas vidas", escreve a coreógrafa. A mensagem descreve ainda a dança como "uma força curativa à qual todos podem aceder" e como "espelho que reflecte o impossível tornado possível".
Os principais objectivos deste evento eram:
1. Atrair a atenção do grande público para a arte da dança, colocando especial ênfase na captação de “novos” públicos ou pessoas que ainda não praticam regularmente esta actividade.
2. Promover a prática das danças afro-latino-americanas como uma actividade de desporto, lazer, arte e cultura que contribui para tonificar os músculos e as articulações, fortalecer o sistema cardio-respiratório, desenvolver a auto-estima e o equilíbrio emocional, potenciar o relacionamento social dos praticantes e estabelecer formas conviviais de integração de culturas, raças, crenças, religioes, filiações políticas e classes sociais.
Aceite o nosso convite para dançar. Venha para a relva dançar connosco!
PROGRAMA 15 H AULA DE RUMBA - Javier Vasallo (bailarino e coreógrafo, Cuba) 16 H AULA DE KIZOMBA - Jonas Ribeiro (professor de danças afro-latinas, Portugal) 17 H AULA DE HIP HOP - Sofia Falcão (professora de street dance e hip hop, Portugal) 18 H AULA DE SALSA - Jonas Ribeiro (professor de danças afro-latinas, Portugal) 19 H APRESENTAÇÃO DAS COREOGRAFIAS
DANÇAS UNIVERSAIS PROPOSTAS
RUMBA A rumba desenvolveu-se no século XIX em Cuba, nas províncias de Havana e Matanzas, a partir de práticas trazidas pelos escravos africanos. Era a dança da fertilidade, em que os passos dos bailarinos imitavam a corte dos pássaros e outros animais antes do acasalamento. Durante a dança, havia sempre um elemento de insinuação e fuga. Os movimentos energéticos e sensuais eram considerados demasiado vulgares e perigosos, pelo que a dança chegou a ser proibida. Yambu é o estilo mais antigo de rumba, algumas vezes também conhecido como rumba dos velhos. É uma música de batida lenta e incorpora movimentos que simulam fragilidade, fingindo uma falta de força. Pode ser dançada individualmente ou a par, mas geralmente sem contacto físico. A rumba guaguanco é mais rápida, tem ritmos mais complexos e envolve movimentos sensuais, de explícita conquista, entre o homem e a mulher. A mulher ao mesmo tempo seduz e protege-se do homem, que tenta apanhá-la desprotegida com um «vacunao» – quando aponta para ela com um lenço ou lançando seu braço, perna ou pélvis em direcção da mulher, num acto de simbólico do contacto sexual. Para defender-se, a mulher pode cobrir-se com as mãos ou usar sua saia para proteger sua pélvis e expulsar a energia sexual para fora de seu corpo. A columbia é o estilo de rumba mais rápido, enérgico e tradicionalmente masculino. O dançarino, num solo, provoca os tocadores de tambores para tocar ritmos mais complexos que ele pode seguir com seus movimentos criativos e algumas vezes acrobáticos. Ver http://www.youtube.com/watch?v=X_Nl1iyYIWg KIZOMBA Angola tem uma riquíssima tradição cultural e social no campo da dança. Nos anos 50 e 60 realizavam-se bailes, farras e festas chamadas «kizombadas», organizadas nas ruas e quintais por «turmas» ou grupos de amigos, nas quais se dançava o semba, a maringa, a kabetula, o kazukuta, a rebita e outros estilos musicais típicos. Ao mesmo tempo, danças provenientes de outros continentes, como o bolero, o tango, a plena, o merengue e outras, eram integradas no estilo tradicional dando origem a interessantes fusões. A kizomba enquanto expressão musical e bailada surge nos anos 80 com a chegada do zouk e constitui o resultado da fusão do semba tradicional com este estilo caribenho, usando para designá-la uma expressão associada ao carácter festivo do seu espírito. Hoje a kizomba é um sucesso não só nos países de expressão oficial portuguesa mas também em Portugal, em vários locais de Espanha, em Londres, na Polónia e em Sidney, arrebatando os primeiros lugares dos tops de vendas musicais e entusiasmando muitos adeptos deste estilo de dança tão sensual. Ver http://www.youtube.com/watch?v=sW0-sSYw0tg
HIP HOP As primeiras manifestações de «street dance» surgiram na época da grande crise económica dos EUA, em 1929, quando os músicos e dançarinos que trabalhavam nos cabarés ficaram desempregados e foram para as ruas fazer as suas exibições. O cantor James Brown relançou essa dança através do funk, em 1967. Mas terá sido o dj Afrika Bambaataa, um afro-americano dos bairros pobres nova-iorquinos, quem criou o termo «hip hop», inspirado na forma de dançar popular na época, que era saltar (hop) movimentando as ancas (hip)... Nos anos 80 explodiram nos EUA o «break dance» e o «rap» - de rhythm and poetry -, bem como os «graffiti», que se expandiram mundialmente e hoje são cultivados através da música, da dança e das artes plásticas em todo o mundo urbano. Exerceram forte influência neste fenómeno as cenas do filme Flash Dance, os video-clips de Lionel Ritchie e, sobretudo, o cantor pop Michael Jackson, que lançou para o mundo os famosos movimentos de back-slide, entre outros. Esta cultura dos bairros periféricos das grandes cidades consiste em melhorar o lugar em que se vive através da arte, da cultura e da educação, expressando-se através de conceitos como paz, união, consciência, atitude e diversão. Eis o fenómeno da street dance ou hip hop. VER http://www.youtube.com/watch?v=je8cGK-2FPA
SALSA Música de dança nascida da diáspora africana, destilada nas Caraíbas e engarrafada nos bairros americanos. Os cubanos e outros povos caribenhos levaram para os Estados Unidos o son cubano, nascido nos campos da parte oriental da ilha na segunda metade do século XIX, tendo como antecedentes a influência hispânica, francesa e africana. Nos anos 20 do século XX nascem o Sexteto Habanero e o Septeto Nacional de Ignácio Piñeiro, grupo que se mantém até os dias de hoje. Músicas como Échale Salsita, El Guanajo Relleno e Suavecito, ainda são interpretadas e conhecidas internacionalmente. O antológico Trio Matamoros deixou El Son de La Loma, El Que Siembra Su Maiz, La Mujer de Antonio e Lágrimas Negras, entre outras. A salsa propriamente dita nasceu em Nova Iorque nos anos sessenta, quando os porto-riquenhos transformaram o son cubano numa fonte de energia urbana. Surgem Tito Puente, os irmãos Palmieri, Johnny Pacheco, Tito Rodríguez, Célia Cruz, Ismael Rivera, Sonora Matancera, Willy Colón e Rubén Blades. Entretanto em Cuba surge o casino - ou salsa cubana - e Juan Formell e Los Van Van criam o songo e a timba, esta última carregada da irreverência de adaptar a clave - tão do agrado das velhas gerações - aos movimentos irrequietos dos jovens dançarinos nas pistas de dança, influenciados por novos sons como o reggae, o rap, o funk e o rock... A salsa é um dos géneros musicais mais dinâmicos da cultura ocidental. Salsa significa «molho», mas a expressão não deve ser entendida apenas no sentido de «quente» e «vibrante», nem a música se reduz a esse tipo de sensações. A palavra salsa tem muito a ver com «swing», tal como este vocábulo foi aplicado às bandas de «swing jazz» dos anos 30 e 40. Descreve um sentimento que cobre uma ampla escala de emoções e expressões musicais. A salsa não é sempre rápida e intensa - pode ser lenta e romântica ou misturar velocidade com sensualidade. VER http://www.youtube.com/watch?v=99ztG5QNb0E